Pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis aponta mudanças: cresce participação feminina e aumenta a escolaridade entre os profissionais da categoria
O Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) realizou durante dez meses uma pesquisa profunda sobre os corretores de imóveis brasileiros. Para isso, a instituição investiu cerca de R$ 2,5 milhões. Durante o recenseamento, descobriu-se que hoje há mais mulheres trabalhando como corretoras, o nível de escolaridade está cada vez mais alto e há mais profissionais autônomos. A pesquisa também apontou aumento no número de corretores atuantes e uma mudança na faixa etária: a média, hoje, é de 46 a 55 anos.
Na última década, cerca de 60 mil corretores ingressaram no mercado de trabalho. A estabilidade também ficou marcada na pesquisa, uma vez que 72,86% dos entrevistados residem em casa própria e 78,73% possuem automóvel. Sobre o rendimento mensal, o levantamento observou que um quarto dos corretores ganha entre R$ 1.000 e R$ 2.000, mas há aqueles que têm renda mensal superior a R$ 10.000.
Praticamente um terço dos profissionais possui sua própria empresa imobiliária; outro terço presta seu serviço a empresas; a parte restante é autônoma. Apesar de possuírem bens de valor, 30% dos corretores não têm acesso à internet. “Esse é um dado importante para o Cofeci trabalhar e pôr em prática a estratégia de inclusão digital dos corretores, que já está sendo pensada pela diretoria”, conta o presidente do Cofeci, João Teodoro da Silva.
“O último censo foi realizado há quase dez anos e não era tão preciso quanto este. Neste, entramos em contato com corretores em todo o país para que eles respondessem aos nossos questionários. Constatamos que a categoria mudou muito nessa última década”, explica João Teodoro. “Para nós do sistema Cofeci-Crecis é muito importante esse levantamento de informações, porque é a partir dele que vamos identificar as carências dos nossos profissionais e poder nos posicionar de maneira a beneficiar a categoria”, pontua o presidente.
Mulheres conquistam espaço – Nos últimos dez anos, o número de mulheres aumentou em 144%. Hoje, 20,24% dos profissionais que atuam como corretores de imóveis são do sexo feminino. A evolução da profissão, por gênero, mostra que a presença feminina tende a crescer. Além da diferença entre os sexos, o recenseamento mostra que a maioria dos corretores tem entre 46 e 55 anos.
Mais formação – Cerca de metade dos corretores de imóveis tem nível superior e 50,97% têm curso de Técnico em Transações Imobiliárias (TTI) - o curso exigido para a concessão do registro profissional. Isso indica investimento em qualificação profissional, um reflexo da política de valorização da classe, adotada pelo Sistema Cofeci-Crecis e pela exigências do mercado de consumo. Para João Teodoro, a tendência é que o nível de formação seja cada vez maior. “Essa é uma realidade. O mercado exige profissionais cada vez mais gabaritados”. Ele também acredita que os cursos superiores formam corretores imobiliários diferenciados, sobretudo se a graduação for específica para o setor. “Existem, no Brasil, cursos muito sérios para formar corretores imobiliários”, conclui.